31.01.18

 EM ARAÇUAÍ

 

'CIA DE CÁ' VENCE FESTIVAL INTERNACIONAL DE TEATRO NA CATEGORIA MELHOR ESPETÁCULO E CONQUISTA AINDA MAIS QUATRO PREMIAÇÕES INDIVIDUAIS

 

A 'Cia de Cá', grupo de teatro de Montes Claros, foi premiado na categoria melhor espetáculo durante o Festival Internacional de Teatro de Palco e Rua de Araçuaí, com a peça 'Vivenças'. O grupo levou ainda os prêmios individuais de melhor direção (para Nelcira Durães), melhor atriz (para Pricila Custódio), melhor trilha sonora (com Jukita Queiroz) e melhor figurino.

 

O grupo ainda concorreu em outras quatro indicações individuais. A apresentação ocorreu no último sábado, dia 27 de janeiro, no Centro Cultural Luz da Lua. O festival, realizado entre 25 e 28 de janeiro, tem objetivo de estimular e difundir o teatro nacional, contando com a participação de diversos grupos do país. A mostra, competitiva, abrange as categorias teatro adulto, teatro para crianças e teatro de rua.

 

Sobre 'Vivenças'

O 'Vivenças' estreou em 2013, apresentado pelos alunos do Curso de Artes-Teatro da Universidade Estadual de Montes Claros e, posteriormente, passou a fazer parte do repertório da Cia de Cá. A peça aborda o imaginário do povo sertanejo, com recursos da cena contemporânea, onde os atores se revezam entre ator-narrador e personagem. A dramaturgia do espetáculo foi construída a partir de histórias de vida, colhidas em pesquisa realizada junto aos moradores idosos de comunidades rurais.

A peça foi apresentada em Bocaiúva, no Festival de Cultura, no ano de 2014, na Mostra de Teatro de Montes Claros em 2015, em Brasília de Minas, em 2016, e na comunidade Rural Morro Alto (Bocaiúva), também em 2016.

O texto é uma viagem conduzida pela memória de dois narradores com representações que dão significado ao cotidiano de homens e mulheres do sertão: os ritos, os festejos, os jogos, o amor, a amizade. A montagem parte de dramaturgia construída com base em narrativas orais de moradores idosos da comunidade rural Morro Alto, Bocaiúva - MG. O espetáculo tece com o fio da memória a vida na roça, composto de momentos de trabalho, de momentos de folgança, de vadiagem e de momentos sagrados. Em tom nostálgico, a narrativa traduz a lembrança, a saudade e a dor dos narradores já idosos, entremeada com música, rezas e brincadeiras.

A proposta remonta as raízes populares do sertão brasileiro, onde apresenta das brincadeiras da infância, a questão da seca que assola a região, até opressão da mulher rural, numa leitura cênica poética, com uso de objetos simbólicos, entremeada por músicas do cancioneiro popular e cantos de Folia de Reis do Norte de Minas.  A visualidade do espetáculo liga presente/passado, homem/terra. O cenário é composto por tramas de tecidos de algodão cru, onde são amarrados objetos, que puxam o “fio da memória”: asas de anjo, chapéus, terços, véu de noiva, chicote, etc.

 

Ricardo Guimarães
Jornalista – Algo Comunicação Cultural